As políticas científicas na era do conhecimento: uma análise de conjuntura sobre o ecossistema científico global

Thaiane Oliveira

Resumo


A proposta deste trabalho é realizar uma análise de conjuntura sobre a ciência brasileira, a partir de um olhar sobre a geopolítica do conhecimento, no qual a informação se consolida como uma importante ferramenta de disputa de poder. Neste sentido, a proposta desta análise de conjuntura é desvendar os atores e os discursos mercadológicos e ideológicos tanto nas políticas científicas que afetam os comportamentos entre áreas quanto nas disputas de reconhecimento que atravessam os espaços tradicionais de circulação científica. Partimos da noção da existência de um ecossistema dinâmico e complexo no qual os diferentes atores de escala global e nacional estão interligados a partir de disputas e interesses próprios. Resta-nos entender portanto, quem seriam estes atores e quais são os discursos atrelados a esses sujeitos em suas dinâmicas sociais e políticas de circulação do conhecimento e da informação.

Texto completo:

PDF

Referências


ALBAGLI, Sarita. Divulgação científica: informação científica para cidadania. Ciência da informação, v. 25, n. 3, 1996.

ALBUQUERQUE, Afonso. Protecting democracy or conspiring against it? Media and politics in Latin America: A glimpse from Brazil. Journalism, p. 1464884917738376, 2017.

ALMEIDA, Paulo Roberto. Relações internacionais e política externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização. Grupo Gen-LTC, 2012.

BARTHOLOMEW, Robert E. Science for sale: the rise of predatory journals. Journal of the Royal Society of Medicine. Vol 107, Issue 10, pp. 384 – 385, 2014.

BEALL, Jeffrey. Predatory journals: Ban predators from the scientific record. Nature, v. 534, n. 7607, p. 326-326, 2016.

BEER, David. The social power of algorithms. Journal Information, Communication & Society, Volume 20, 2017.

BENNETT, Karen. The “butler” syndrome: academic culture on the semiperiphery. Revista Canaria de Estudios Ingleses, 69; December, 2014.

BERGER, Monica; CIRASELLA, Jill. Beyond Beall’s list: better understanding predatory publishers. College & research libraries news, v. 76, n. 3, p. 132-135, 2015.

BRINN, Tony; JONES, Michael John. Editorial boards in accounting: The power and the glory. In: Accounting Forum. Elsevier, 2007. p. 1-25.

BUENO, W.C. Jornalismo científico no Brasil: compromissos de uma prática dependente. (Tese de doutorado apresentada à Escola de Comunicações e Artes da USP). São Paulo, 1984.

BURCH, Sally. Sociedade da informação/sociedade do conhecimento. Desafios de Palavras: Enfoques Multiculturais sobre as Sociedades da Informação. São Paulo: C&F editions, 2005.

CASSIOLATO, José Eduardo et al. Indicadores de Inovação: uma análise crítica para os BRICS. Rio de Janeiro: RedeSist–Relatório de Pesquisa, 2008.

CONFRARIA, Hugo; GODINHO, Manuel Mira; WANG, Lili. Determinants of citation impact: A comparative analysis of the Global South versus the Global North. Research Policy, v. 46, n. 1, p. 265-279, 2017.

COOKSON, R. "Reed Elsevier to rename itself RELX Group". Financial Times. Retrieved 23 September 2015.

COSTA, R. Wikipédia é criticada por parceria com a Elsevier. Tecnomundo, 18 de setembro de 2015. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/wikipedia/86703-wikipedia-criticada-parceria-elsevier.htm

DADKHAH, Mehdi; BIANCIARDI, Giorgio. Ranking predatory journals: solve the problem instead of removing it!. Advanced pharmaceutical bulletin, v. 6, n. 1, p. 1, 2016.

DHANANI, Alpa et al. Editorial boards of accounting journals: gender diversity and internationalisation. Accounting, Auditing & Accountability Journal, v. 30, n. 5, p. 1008-1040, 2017.

DUARTE, Newton. Sociedade do conhecimento ou sociedade das ilusões. Campinas: autores associados, 2003.

ETZKOWITZ, HENRY; ZHOU, CHUNYAN. Hélice Tríplice: inovação e empreendedorismo universidade-indústria-governo. Estudos Avançados, v. 31, n. 90, p. 23-48, 2017.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido (1970). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

FREY, Klaus. Políticas públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil. Planejamento e políticas públicas, n. 21, 2009.

FUCHS, Christian. Digital Labour and Karl Marx. Routledge, 2014.

GARFIELD, Eugene. The use of journal impact factors and citation analysis for evaluation of science. In: 41st Annual Meeting of the Council of Biology Editors, Salt Lake City, UT. 1998.

GIBSON, Eleanor J. Where is the information for affordances?. Ecological Psychology, v. 12, n. 1, p. 53-56, 2000.

GIDDENS, Anthony. Central problems in social theory: Action, structure, and contradiction in social analysis. Univ of California Press, 1979.

GUARESCHI, Pedrinho Arcides. Mídia e democracia: o quarto versus o quinto poder. Revista Debates, v. 1, n. 1, p. 6, 2007.

GUIMARÃES, E. A. - A Política Científica e Tecnológica e as Necessidades do Setor Produtivo. Eduardo Augusto Guimarães, Instituto de Economia Industrial, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1993.

HEYMAN, Tom; MOORS, Pieter; STORMS, Gert. On the cost of knowledge: Evaluating the boycott against Elsevier. Frontiers in Research Metrics and Analytics, v. 1, p. 7, 2016.

HICKS, Diana et al. The Leiden Manifesto for research metrics. Nature, v. 520, n. 7548, p. 429, 2015.

HJARVARD, Stig. Midiatização: teorizando a mídia como agente de mudança social e cultural. Matrizes, v. 5, n. 2, 2012.

KIM, Sung-Tae; LEE, Young-Hwan. New functions of Internet mediated agenda-setting: Agenda-rippling and reversed agenda-setting. Korean journal of journalism & communication studies, v. 50, n. 3, p. 175-205, 2006.

KROTZ, Friedrich. The meta-process of mediatization as a conceptual frame. Global Media and Communication, v. 3, n. 3, p. 256-260, 2007.

KUHN, Thomas S.; HAWKINS, David. The structure of scientific revolutions. American Journal of Physics, v. 31, n. 7, p. 554-555, 1963.

LARIVIÈRE, Vincent; HAUSTEIN, Stefanie; MONGEON, Philippe. The oligopoly of academic publishers in the digital era. PloS one, v. 10, n. 6, p. e0127502, 2015.

LASTRES, Helena MM et al. Informação e globalização na era do conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, p. 163, 1999.

LATOUR, Bruno. Reassembling the social: An introduction to actor-network-theory. Oxford university press, 2005.

LEHER, R. Da ideologia do desenvolvimento à ideologia da globalização: a educação como estratégia do Banco Mundial para “alívio” da pobreza. São Paulo: FEUSP, 1998.Tese (Doutorado em Educação) – USP.

LÉVY-LEBLOND, Jean-Marc. About misunderstandings about misunderstandings. Public Understanding of Science, v. 1, n. 1, p. 17-21, 1992.

LEWENSTEIN, B.V. Who produces scientific information for the public? In J.H. Falk (Ed.), Free-choice science education: How we learn science outside of school. New York: Teachers College Press, 2001.

LOCKWOOD, Gwilym. Academic clickbait: Articles with positively-framed titles, interesting phrasing, and no wordplay get more attention online. The Winnower, v. 3, 2016.

LUUKKONEN, Terttu. Invited review article: Bibliometrics and evaluation of research performance. Annals of medicine, v. 22, n. 3, p. 145-150, 1990.

MAHRT, Merja; WELLER, Katrin; PETERS, Isabella. Twitter in scholarly communication. Twitter and society. New York: Peter Lang, p. 399-410, 2014.

MARTINO, Luís Mauro Sá. Três hipóteses sobre as relações entre mídia, entretenimento e política. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 6, p. 137-150, 2011.

MAY, R. M. & HALDANE, A. G. Systemic risk in banking ecosystems. Nature 469, 351–355, 2011.

MAZLOUMIAN, Amin et al. Global multi-level analysis of the ‘Scientific Food Web'. Scientific reports, v. 3, p. 1167, 2013.

MCCOMBS, Maxwell. A teoria da agenda: a mídia e a opinião pública. Petrópolis: Vozes, 2004.

MEADOWS, Arthur Jack. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1999. 268 p.

MERTON, Robert K. The sociology of science: Theoretical and empirical investigations. University of Chicago press, 1973.

MEYER, Thomas. 2002. Media democracy. London: Polity.

MYERS, Greg. Discourse studies of scientific popularization: questioning the boundaries. Discourse studies, v. 5, n. 2, p. 265-279, 2003.

NASSI-CALÒ, Lilian. Open access as a sustainable alternative to scholarly communication. Blog Scielo, 2012.

OLIVEIRA, D.A.; FONSECA, M. O Banco Mundial e as políticas de formação docente: a centralidade da educação básica. In: HIDALGO,A.M. et al. (Org.) Educação e Estado: as mudanças nos sistemas de ensino do Brasil e Paraná na década de 90. Londrina: UEL, 2001.

OLIVEIRA, T.; Evangelista, S.; Toth, J. A ciência no Youtube: redes de autoridade e diferente linguagens da comunicação científica na era digital. In: Anais do I Congresso Televisões. Niterói: UFF, 2017.

PONTE, Diego; MIERZEJEWSKA, Bozena I.; KLEIN, Stefan. The transformation of the academic publishing market: multiple perspectives on innovation. Electronic Markets, v. 27, n. 2, p. 97-100, 2017.

PORITZ, Jonathan A.; REES, Jonathan. Academic Governance on the Virtual Shop Floor. Academe, v. 103, n. 3, p. 20, 2017.

PRIEM, Jason et al. Altmetrics: A manifesto. 2010.

RÀFOLS, Ismael; MOLAS-GALLART, Jordi. A call for inclusive indicators that explore research activities in “peripheral” topics and developing countries. Impact of Social Sciences Blog, 2016.

RUOTSALAINEN, Juho; HEINONEN, Sirkka. Media ecology and the future ecosystemic society. European Journal of Futures Research, v. 3, n. 1, p. 9, 2015.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Novos estudos-CEBRAP, n. 79, p. 71-94, 2007.

SMALDINO, Paul E.; MCELREATH, Richard. The natural selection of bad science. Royal Society Open Science, v. 3, n. 9, p. 160384, 2016.

TAYLOR, Mike (16 January 2011). "Academic publishers have become the enemies of science". The Guardian, 2011.

THELWALL, Michael. Web indicators for research evaluation: A practical guide. San Rafael, CA: Morgan & Claypool.

VAN ZOONEN, Liesbet. I-Pistemology: Changing truth claims in popular and political culture. European Journal of Communication, v. 27, n. 1, p. 56-67, 2012.

VERBIK, Line. The international branch campus: Models and trends. International Higher Education, n. 46, 2015.

WAGNER, Caroline S.; WONG, Shing Kit. Unseen science? Representation of BRICs in global science. Scientometrics, v. 90, n. 3, p. 1001-1013, 2012.

WEINGART, Peter. Science and the media. Research policy, v. 27, n. 8, p. 869-879, 1998.

WILKINS, Stephen; HUISMAN, Jeroen. The international branch campus as transnational strategy in higher education. Higher Education, v. 64, n. 5, p. 627-645, 2012.

WOUTERS, Paul et al. The metric tide: Literature review (Supplementary report I to the independent review of the role of metrics in research assessment and management). The Higher Education Funding Council for England. doi, v. 10, 2015.

XIA, Jingfeng et al. Who publishes in “predatory” journals?. Journal of the Association for Information Science and Technology, v. 66, n. 7, p. 1406-1417, 2015.

ZAGO FIGUEIREDO, Ireni Marilene. Os projetos financiados pelo Banco Mundial para o ensino fundamental no Brasil. Educação & Sociedade, v. 30, n. 109, 2009.






Revista Perspectivas em Ciência da Informação
Antonio Carlos, 6627 - Pampulha
31270- 901 - Belo Horizonte -MG
Brasil
Tel: 031) 3409-5227 






A revista Perspectivas em Ciência da Informação está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.
       IET          IBCT - SEER Portal Scielo Capes Periodicos UFMG        Sistema de Bibliotecas UFMG